quarta-feira, 25 de maio de 2011

Educação de surdos

A EDUCAÇÃO DA PESSOA SURDA NO CONTEXTO DA INCLUSÃO: CAMINHOS E DESCAMINHOS

*Raquel da Silva Gomes

Abordar a questão da inclusão de surdos na rede regular de ensino nos remete a diferentes perspectivas, do ponto de vista legal, do social, do lingüístico, do educacional.
O termo inclusão, do ponto de vista legal, está amparado por lei e decretos que asseguram o acesso e a permanência de surdos na escola regular. Entretanto, apesar dessas políticas advogarem a educação escolar desses alunos, sua implementação e operacionalização têm sido difíceis para os surdos.
Vários são os fatores que contribuem para essa situação, entre eles notamos que as crianças surdas que adentram na escolar regular, em sua grande maioria não passaram por um processo de desenvolvimento de uma língua, seja ela na modalidade oral ou sinalizada. A falta de uma língua, no caso a língua de sinais, compromete a aprendizagem de uma segunda língua, a língua portuguesa. Consequentemente o trabalho dos professores fica limitado, comprometendo assim o ensino-aprendizagem desses educandos.
Observamos que nesse ambiente escolar as relações dialógicas entre professores e surdos, surdos e alunos ouvintes é limitada e dificultada em função da falta de uma língua comum a ser compartilhada entre eles. A prática pedagógica está perpassada por problemas que envolvem como foi dito, uma relação dialógica entre surdos e ouvintes.
Em função disso, centraliza-se a ação educativa na utilização de recursos comunicativos em detrimento a uma prática pedagógica significativa.
Nas práticas escolares utilizadas com alunos surdos nota-se um aspecto singular, o processo de aquisição da língua portuguesa não se dá de forma natural por meio da construção de diálogos espontâneos, mas o de aprendizagem formal na escola. O modo de ensino/aprendizagem da língua é o português escrito.
A aprendizagem do português só será efetiva se ensinada com base nos conhecimentos adquiridos por meio da língua de sinais. Essa ideia fundamenta a proposta educacional bilíngüe, que segundo autores, entre eles Skliar (1997), permite o desenvolvimento rico e pleno de linguagem, possibilitando ao surdo um desenvolvimento integral. Esses autores defendem que somente um projeto de educação bilíngüe pode alcançar os objetivos educacionais e culturais desejáveis a comunidade surda. Na escola bilíngüe todos, professores e demais membros da equipe escolar, devem dominar a língua de sinais.
Nas escolas em que os professores não são fluentes, a presença de intérpretes é uma alternativa viável na intermediação da comunicação. Contudo, como enfatiza Lacerda (2006), só essa ação não é suficiente para uma inclusão satisfatória, é necessária ainda adequação curricular, aspectos didáticos e metodológicos, conhecimento sobre a surdez e sobre a língua de sinais entre outros.
Para Gonçalo (2004) uma educação bilíngue para surdos não engloba somente a questão linguística, a escola precisa adotar uma postura política e ideológica frente ao surdo, respeitando-o como sujeito pertencente a uma minoria linguística, de cultura própria e que em função disso necessita de uma educação diferenciada.
Outro aspecto a ser considerado na perspectiva da educação inclusiva diz respeito à formação e capacitação de professores para atuarem junto a alunos surdos. A formação desses profissionais é premissa básica para uma educação de qualidade. Nessa perspectiva, o foco dessa formação não deve ser só aluno surdo, mas todo e qualquer aluno, os tidos normais e os com necessidades especiais. Ao professor cabe criar situações didáticas que levem a reflexões sobre a língua em situações reais de produção e interpretações de textos, não em atividades mecânicas e descontextualizadas, fora da realidade do aluno.
São muitos os obstáculos a serem superados para que tenhamos uma escola de qualidade para os surdos. A inclusão da língua de sinais demanda recursos humanos e materiais, principalmente ao que tange a formação de professores; a inserção do profissional intérprete não assegura uma inclusão satisfatória, requer também a presença de educadores surdos para ensinar Libras a crianças surdas e principalmente o envolvimento da família no aprendizado da Libras.

terça-feira, 10 de maio de 2011

NENHUM A MENOS: Filme exibito para turmas de Pedagogia da Universidade Vale do Acaraú com objetivo de trabalharem o enredo do filme utilizando-se de gêneros textuais. Apresento algumas produções e seus respectivos autores:

POEMA

Lá bem longe na China
Em uma escola solitária
Uma menina ensinava
Em uma situação precária.

Foi substitiur o senhor
o professor, que a mãe adoeceu
E por isse motivo se ausentou
e a menina a missão recebeu.

Sem saber o que fazer
Já que não tinha experiência
Pra ensinar a ler e escrever
Teria que ter muita paciência.

Até o giz ali faltava
Era uma triste ilusão
Pois entre os alunos
Não poderia ter evasão.

O lugar era tão pobre
Nada tinha a oferecer
E em outra cidade grande
Um aluno a se perder.

A menina tão confiante
Foi atrás do seu aluno
Nessa cidade distante
Não sabia nem o rumo

Sem salário, sem dinheiro
Foi em busca da criança
Para trazê-lo inteiro
Era sua esperaça.

Nenhum a menos, nenhum a menos
Essa é a sua responsabilidade
E o menino tão pequeno
Perdido naquela cidade.

Onde achar esse menino?
Onde pode encontrá-lo?
Até a TV é seu destino
Talvez assim possa achá-lo

E a pequena professora
Insistente na portaria
Daquela bendita emissora
Com o diretor falaria.
Um espaço foi aberto
Em uma programação
Apesar de ser incerto
Foi com muita emoção.

Ali ficou revelada
A verdade da escolinha
E a mudança desejada
Mudava o rumo dessa rima.

Através da pequenina
Sim! Falo da professora!
Sendo ainda uma menina
Pensou como uma doutora.

Giz, lápis, canetas e cadernos
Já não faltava às crianças
Tudo agora era moderno
Foi por sua confiança.

Esse é o retrato
Do professor que tem amor
Que faz da sua profissão
Um verdadeiro clamor

De afeto e de respeito
Às crianças tão carentes
Assim bato no peito
Por ser com orgulho um docente.

(Nyll Magalhães - SPDM 19 UVA-PA)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Turma SPDM 19

É com grande satisfação e sensação de dever cumprido que finalizo mais uma turma com a disciplina Alfabetização e Letramento. Maravilhosas trocas e experiências oportunizaram contruirmos coletivamente conhecimentos, isso é muito bom e gratificante.
PARABÉNS A TODOS QUE FIZERAM DESTE UM MOMENTO DE GRANDE DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL E ACADÊMICO!
Beijos e até breve!
Profª Raquel Gomes

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Artigo

UM OLHAR DIFERENCIADO FRENTE À ESCRITA DO SURDO

Raquel da Silva Gomes*

A língua é importante para o surdo não apenas por estimular seu desenvolvimento cognitivo e social, mais também por propiciar sua comunicação com ouvintes e com outros surdos.
A língua de sinais é aquela que oportuniza aos surdos dinâmica nas suas interações sociais. Constitui-se a modalidade ideal na aquisição de primeira língua (L.1), em função de suas características de língua vísuo-espacial. Ao mesmo tempo, é desejável que o surdo adquira a língua oral da comunidade em que vive, logo esta se dará como segunda língua (L.2).
Desse modo, percebe-se que o surdo realiza um duplo esforço para ampliar seu potencial de conhecimento e de comunicação, isto é, apropriar-se tanto da língua sinalizada (LIBRAS) quanto da oralizada (como a Portuguesa). A língua de sinais é aquela adquirida de forma natural, espontânea pela pessoa surda em contato com usuários deste mesmo signo lingüístico. A língua oral é adquirida de forma sistematizada, logo não ocorrerá naturalmente já que o aparato sensorial do surdo encontra-se impedido de aprender. Sua aprendizagem se dará na modalidade escrita da língua oral.

A língua de sinais desempenha papel fundamental na aquisição do português, pois possibilita, aos surdos, leitura e escrita e, é ela que assegura o conhecimento de mundo, sendo possível, assim, entenderem o significado do que lêem, deixando de ser meros decodificadores da escrita. Esse sistema lingüístico proporciona aos surdos organizar, de forma lógica, suas idéias, por isso a estrutura gramatical da língua de sinais acaba sendo refletida nas suas atividades escritas. Como conseqüência, teremos produções textuais imensamente distantes daquelas tidas como padrão.
Por outro lado, os surdos têm uma visão de mundo diferenciada do sujeito ouvinte, em função de uma intensa propensão para a visualidade. Essa característica de ver as coisas ao seu redor de forma diferenciada reflete-se em sua forma de comunicação e, consequentemente, na sua escrita.
Diante disso, as produções escritas por surdos apresentam características que dificultam sua interpretação como: enunciados curtos, vocabulário reduzido, ausência de artigos, de preposições, de concordância nominal e verbal, uso reduzido de diferentes tempos verbais, falta de elementos formadores das palavras (afixos), verbos de ligação, ausência de conectivos, tais como conjunções, pronomes relativos; ou usam os de forma inadequada.
Contudo, afirma-se que não é apenas o fato de o surdo não receber informações auditivas que irá interferir nas suas práticas lingüísticas- discursivas em português,mas também o fato de utilizarem, frequentemente, estruturas da língua de sinais para expressar por escrito suas idéias, isso por desconhecerem a estrutura da língua portuguesa.

Como há diferenças estruturais entre língua de sinais e línguas orais, nota-se que as relações entre as estruturas não se estabelecem da mesma forma nos dois sistemas lingüísticos. Daí a dificuldade do surdo fazer as ligações entre palavras, segmentos, orações, períodos e parágrafos, ou seja, a de organizar sequencialmente o pensamento em cadeias coesivas na língua portuguesa, e isso leva a pensar que o texto produzido por uma pessoa surda não tem coerência. Entretanto, pesquisas revelam que textos elaborados por surdos falantes de LIBRAS, apesar de apresentarem alguns problemas na forma, não têm violado o principio da coerência: os surdos conseguem expressar de modo inteligível suas idéias, isto é, sua escrita é dotada de coerência, embora nem sempre apresente certas características formais de coesão textual. É ao que se refere Ferreira Brito (1996) ao enfatizar que o elemento fundamental para a transmissão da mensagem escrita seja a coerência e que esta é dependente das estruturas cognitivas e dos princípios pragmáticos que regem a linguagem.

Para ilustrar o que foi exposto, observe-se o texto, a seguir, produzido por um surdo.

“Meus pais tenho 2 irmãs minha vida sou 1ª filha nasci em Castanhal, onde morei até os 21 anos.Quando mamãe estava grávida. Nos 4 meses rubéola passou muito difíceis, os médicos pediu para abortar, mamãe não quis. Quando nasci fui examinada e
acompanhada um pediatra sempre comentava com mamãe que eu era uma criança normal, eles achavam mamãe não tinha tido rubéola. Quando era eu tinha 8 meses teve um febre muito alta com convulsão, nós encaminhávamos para Belém, onde ficava internada por alguns dias. Com 1 ano de idade mamãe começou notar com diferenças no meu comportamento, era estava regredindo. Nós fomos encaminhada para especialista em São Paulo, lá descobriu deficiência auditiva para usar aparelho o audição. Eu tinha 3 anos de idade quando era estudava a freqüentar o Felipe Smaldone onde era alfabetizada, a freqüentar uma escola comum, com sempre o acompanhamento de um fonoaudióloga”.

Encontramos no texto alguns problemas na forma (aspectos morfossintáticos),
vejamos algumas passagens:

a) Uso inadequado do verbo de ligação:
“Quando era eu tinha ...”
“... era estava regredindo...”
“... quando era estudava a freqüentar...”

b) Omissão de elementos de ligação (preposição e conjunção):
“...fui examinada e acompanhada (por) um pediatra (que) sempre comentava com mamãe...”
“...eles achavam (que) mamãe não tinha tido rubéola.”

c)Uso inadequado de preposição:
“...mamãe começou notar com diferenças em meu comportamento...”

d) Concordância nominal e verbal inadequada:
“...eu tinha 8 meses teve um febre muito alta...”
“...os médicos pediu para abortar.”
“...onde ficava internada por alguns dias.”

Apesar de problemas como estes, entendemos o conteúdo semântico do texto, isto é, depreendemos o que está sendo dito e isso indica que a coerência não foi comprometida. Contudo, precisa ser reorganizado de acordo com as regras da língua portuguesa.

Finalmente, ressaltamos que ao avaliar um texto escrito por surdo, devemos atentar para detalhes fundamentais abordados na Educação de Surdos (Brasil,2005):

 Na avaliação do conhecimento, devemos utilizar critérios compatíveis com as características inerentes a esses educandos;

 A maior relevância seja dada ao conteúdo (nível semântico), ao aspecto cognitivo de sua linguagem, à coerência e a seqüência lógica das idéias

 A forma da linguagem (nível morfossintático) seja avaliada com mais flexibilidade, dando-se maior valor ao uso de termos da oração, como

 termos essenciais, termos complementares e, por último, os termos acessórios e não sendo por demais exigente em relação ao elemento coesivo.
Necessitamos de profunda reflexão no tocante a avaliação da escrita do surdo. Precisamos estar conscientes de que o mais importante é que os alunos consigam aplicar os conhecimentos adquiridos no seu cotidiano, de forma que esses conhecimentos possibilitem uma existência de qualidade e o pleno exercício da cidadania.


Referências
BRASIL. Secretaria de Educação Especial. Saberes de Praticas da Inclusão: Desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais de alunos surdos. Brasília: SEESP/MEC, 20005.

FERNANDES, Eulália. Linguagem e surdez. Porto Alegre: Artmed, 2003.

QUADROS, R. M. de, KARNOPP, L. B. Língua de sinais brasileira: Estudos Lingüísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004.

SALLES, Heloisa Maria M. L. et al. Ensino da língua portuguesa para surdos: caminhos para a pratica pedagógica. Brasília: MEC, SEESP, 2004.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Turma SPDM-45

Em mais uma disciplina concluida, sinto-me satisfeita e grata por tudo que compartinhamos nesse mês, foram momentos de troca, de compartilhamento, contrução de conhecimentos. Valeu turma! Sucesso! Sucesso! Vitória fina!
Bjus!!!!
Profª Raquel Gomes

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Projeto de leitura e escrita

Autobiografia - Atividade do curso NTE

QUEM SOU COMO PROFESSORA E APRENDIZ



Professor: Maria do Carmo Acácio1

Cursista: Raquel da Silva Gomes2


Sou professora de Língua Portuguesa da rede pública, de Língua Brasileira de Sinais e outras matérias da área dos códigos e linguagens de uma universidade particular e tutora do curso Letras/Libras, polo UEPA. Tenho como formação específica Especialização em Língua Portuguesa e Análise Literária, em Educação Especial e Mestrado em Linguística Aplicada.

A atualização de minha prática profissional é um objetivo constante, uma vez que as inovações, tanto a nível tecnológico como acadẽmico, são frequentes em todas os campos de atuação, daí a necessidade de permanente capacitação a fim de desempenhar minhas funções docentes, principalmente no momento histórico que vivemos hoje, onde a busca de informações e consequente construção do conhecimento não estão mais restrita às salas de aulas escolares, mas de várias formas e maneiras, impulsionadas pelo acesso às novas tecnologias da informação.

Outro ponto de grande importância é a troca de experiências e compartilhamento de materiais didáticos com outros profissionais da área. Essa prática além de possibilitar novas informações e conhecimentos, ajuda-nos a compartilhar e essas trocas são muito significativas para o desenvolvimento afetivo, social e profissional de todos e uma melhor qualidade no ensino de nossos alunos. É uma prática também utilizada junto aos alunos quando na organização e realização de atividades, na valorização do trabalho compartilhado.

Penso que só assim posso, realmente, fazer um trabalho eficaz e significativo para meus alunos e recompensador para todo professor comprometidos com ensino e aprendizagem de qualidade em nosso país.




1Professora orientadora do Curso de Tecnologia e Educação: ensinado e aprendendo com as TICs

2Orientanda do Curso de Tecnologia e Educação: ensinado e aprendendo com as TICs

Reflexão

"O Poder do Entusiasmo"

Entusiasmo é acreditar na nossa capacidade de fazer as coisas acontecerem, de darem certo, de transformar a natureza e as pessoas.

Não espere ter as condições ideais para se entusiasmar.

Nós é que temos que transformar a nossa vida numa Vida Entusiástica.

Não é a realidade da vida que tem que nos entusiasmar, nós é que temos que entusiasmar a realidade da nossa vida! Nós é que temos que entusiasmar nossas idéias...

"DICAS PARA SE VIVER ENTUSIASTICAMENTE"

1- Afaste-se das pessoas e dos fatos negadores e negativos. Se você se deixar envolver por um ambiente negativo, você vai se transformar numa pessoa negativa.

2- Acredite nos seus "insights" positivos. Os vencedores são aqueles que acreditam nas suas idéias.

3 - Não reclame constantemente. Quando a gente reclama muito, se habitua a reclamar cada vez mais e acaba se transformando numa pessoa azeda. É insuportável conviver com pessoas que só vivem se queixando!

4- Cultive a alegria e o bom humor... Aprenda a sorrir! Terapia do Riso : Habituar-se a sorrir, a achar graça de si mesmo. O sorriso tem um efeito poderoso em nossa vida; as pessoas que zombam dos próprios erros, são mais felizes e mais fortes.

5- Ilumine seu ambiente de trabalho e da sua casa. A escuridão traz a depressão! O ambiente determina a condição funcional em que as pessoas agem e fazem as coisas ocorrerem.

6- Seja alguém disposto a colaborar com os outros. Sempre ache uma maneira de participar! Traga as pessoas mais próximo de você. Participe, converse com as pessoas com as quais convive. interesse-se pelas pessoas à sua volta!

7 - Surpreenda as pessoas com "momentos mágicos". Contagie os outros... Faça com que ao entrar num ambiente, as pessoas se contagiem com a aura de entusiasmo que envolve você!

8 - Faça tudo com sentimento de perfeição. Faça as coisas com vontade de fazer! Não faça nada pela metade! Faça as coisas com desejo de acertar e de criar o mais correto possível! Ande bem vestido, limpo e perfumado. Tenha orgulho da sua imagem. Gostar de si próprio, mantendo a auto-estima, é fundamental para o Entusiasmo.

10 - Aja prontamente. Faça agora! "DO IT NOW" Não postergue, não deixe para amanhã. Quando tiver alguma coisa para fazer, faça imediatamente. Sentiu que é o momento certo?

- Aja! ! !

"ENTUSIASMO SIGNIFICA TER DEUS DENTRO DE SI."

Descubra o entusiasmo na Vida! Seja capaz de transformar as coisas e fazê-las acontecer. Não espere as condições ideais, faça o Entusiasmo ocorrer pela crença de que você é capaz de realizações eficazes e de... VENCER OBSTÁCULOS ! ! !

Autor desconhecido



AMO VOCÊS

Melhores Momentos

Artigo

MANTENDO A DISCIPLINA EM SALA DE AULA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Artigo apresentado por alunos do curso de Pedagogia da UVA, na disciplina ATACC, sob orientação da professora Raquel Gomes


RESUMO
MARCIA SUZANE DE FREITAS BARRA
PATRÍCIA DA SILVA BENTES
SILVIA HELENA SILVA DE LIMA

Este artigo trata sobre como manter a disciplina em sala de aula com alunos do ensino infantil, destacando três tópicos que consideramos fundamentais, a saber: O papel da família, o papel do professor e os cuidados com a criança. Discorreremos cada um focalizando alguns detalhes imprescindíveis que precisam ser apreciados com toda atenção a fim de que seja alcançado o objetivo esperado por parte dos alunos, levando em consideração que os mesmos refletirão o meio onde vivem, e também não podemos ignorar as características que são peculiares nesta idade. Professor para trabalhar com essa idade tem que ter mais do que formação, precisa ter vocação e estar pronto para apresentar um universo de coisas novas de forma saudável e equilibrada tendo como meta o desenvolvimento pleno do aluno e não somente o aspecto cognitivo, pois é neste período que estão sendo estabelecidos os alicerces que formarão não apenas profissionais bem sucedidos, mas cidadãos respeitáveis e de caráter irrepreensível. E este processo fica sob a competência dos pais ou responsáveis e os educadores, nunca esquecendo que crianças nesta idade precisam de cuidados especiais, saibam estabelecer limites, lembrem-se que elas são imitadoras, que exemplo terão como base?

Palavras Chave: Disciplina, Pais, Professores, Crianças.


INTRODUÇÃO

Quando a criança inicia na escola, depara-se com o mundo novo, cercado de pessoas desconhecidas e isto automaticamente caracteriza-se em um choque, para alguns em maior proporção do que para outros, dependendo da realidade familiar dos mesmos, o que por sua vez acaba desencadeando comportamentos variados e alguns reflexos de indisciplina, que findam dificultando ao professor o controle em sala de aula.
Ao observarmos que a questão da indisciplina tem sido algo preocupante para muitos professores, decidimos pesquisar e discorrer sobre o assunto com o intuito de descobrir a origem do problema, as causas mais freqüentes e as possíveis soluções, objetivando ajudar crianças e professores no desenvolvimento de um relacionamento saudável onde a criança considere a autoridade do professor sujeitando-se de forma respeitosa às orientações e limites por ele estabelecidos.
Nossa pesquisa é de cunho bibliográfico e a delimitamos ao ensino infantil que compreende a faixa etária entre dois a cinco anos de idade. Conhecido como pré-escolar e encontrado somente em escolas particulares.

1. O PAPEL DA FAMÍLIA
Ah! Mais são tão pequenininhos! Será que não estão vendo problemas onde não existe?
Talvez este ainda seja o questionamento de alguns. É muito importante que fique bem esclarecido que a base de todo indivíduo está na família, e que desde bebezinho a criança já começa a assimilar características do meio a que faz parte: hábitos, costumes, regras, crenças...
Atualmente a família tem vivido uma grade crise, e não tem como ser evitado que os reflexos desta realidade sejam evidenciados em sala de aula. Aquela família tradicional, constituída de pai, mãe e filhos, é uma raridade; tem sido cada vez mais crescente os casos onde os pais trabalham fora, bem como o de separação e novo casamento e aquele núcleo familiar mais tradicional tem dado lugar a ausência dos pais e a diferentes famílias vivendo sob o mesmo teto. Se uma situação desta afeta pessoas maiores, não dá para dimensionar as sequelas que acabam ficando impressas nas emoções das crianças desta idade que muitas vezes são evidenciadas através de insegurança, sentimento de abandono, carência afetiva, agressividade, falta de concentração. E em contrapartida, alguns pais acabam carregando o sentimento de culpa e algumas vezes até de forma inconsciente tentam compensar estas carências dando tudo o que elas querem, não impondo limites, comprando roupas e brinquedos caros. E correção é algo que se desconhece em seus vocabulários. Numa tentativa de acertar, infelizmente, acabam trazendo sérios prejuízos às crianças, tornando-as desagradáveis e mal educadas, e tudo isto é muito mais sério do que se pensa, pois pode vir a desencadear deformidades no caráter da criança e uma série de outras consequências.

A mim me dá pena e preocupação quando convivo com famílias que experimentam a “tirania da liberdade” em que as crianças podem tudo: gritam, riscam paredes, ameaçam as visitas em face da autoridade complacente dos pais que se pensam ainda campeões da liberdade. (FREIRE, 2000, p.29)


Como Freire diz, também existe aquele outro caso, que é o excesso de complacência, de permissividade, tudo o que a criança faz é lindo e não tem porque tolí-la.
Nunca esqueçam que a criança de hoje é o adulto de amanhã. Qual tem sido a sua contribuição para esta formação?
Esses conflitos acabam se agravando, principalmente quando a escola tenta intervir. Ocorre que muitos pais por tudo o que já foi citado, transferem responsabilidades à escola, mas não aceitam com tranqüilidade quando esta mesma escola exerce o papel que deveria ser deles.
Em outras palavras, como diz Zimermam, os pais que não tem condições emocionais para suportar a sua parcela de responsabilidade, acabam culpando aos professores e a escola pelo procedimento de seus filhos. E foi pensando nestas situações que o MEC teve a iniciativa e instituiu a data de 24 de abril como o dia nacional da família na escola. Neste dia todas as escolas são estimuladas a convidar os familiares dos alunos a participarem de suas atividades educativas, pois segundo declaração do ex-ministro da educação, Paulo Renato Souza: “Quando os pais se envolvem na educação dos filhos, eles aprendem mais.”
A família deve, portanto, se esforçar para estar presente em todos os momentos da vida de seus filhos. Presença que implica envolvimento, comprometimento e colaboração. Deve estar atenta às dificuldades não só cognitivas, mas também comportamentais.

2. O PAPEL DO PROFESSOR

O professor será aquele com quem a criança passará boa parte do seu tempo e é de sua competência procurar conhecer a realidade de cada aluno, o que se dará no decorrer da convivência e nas oportunidades de relacionamento com os pais e familiares dos mesmos.
O educador não pode esquecer que esta recebendo crianças com costumes e práticas muito variadas.
Educar, portanto não é uma tarefa fácil exige muito esforço, paciência e tranqüilidade. Exige saber ouvir e também saber calar. O medo de magoar ou decepcionar os pais deve ser substituído pela certeza de que o amor também se demonstra sendo firme no estabelecimento de limites e responsabilidades.
Para ser educador é preciso estar preparado, pois muitas vezes são incompreendidos quando por algum motivo precisam se ausentar, geralmente a cobrança é acirrada por parte dos pais. A comunicação aqui é fundamental, pois se você vem mostrando no decorrer dos meses que é um profissional responsável ficará mais fácil a compreensão dos mesmos.
Ser professor desta idade requer muito mais do que formação ou conhecimento de técnicas, tem que ter vocação especial e gostar muito de crianças. Lembrando sempre que elas ainda não tem coordenação motora firme, as vezes cai o suco, sujam a mesa na hora do lanche, algumas ainda usam fraldas descartáveis, tem que fazer higiene diária e como ainda são muito dependentes, isto dá trabalho.
Por isso, muitas vezes acontecem problemas quando o profissional esta na função apenas por que precisa do salário. É ai que acabam acontecendo aberrações como foi o caso que encontramos na internet daquela professora de Caxias do Sul, que cometeu aquele absurdo com um aluno de 5 anos colocando fita adesiva na boca da criança, desencadeando uma lesão alérgica na região, quando então os pais vieram ter conhecimento e foram fazer reclamação na escola causando a demissão da profissional.
Na educação infantil, é fundamental insistir no papel do professor como mediador, como aquele que constantemente proporciona modelos de atuação que o aluno irá progressivamente interiorizando.
É necessário que o professor exercite a capacidade de conhecer seus impulsos e ansiedades. Quando houver necessidade de chamar a atenção que se mantenha o volume de voz correto, não é por se falar alto que se tem autoridade, ter sempre o cuidado para não expor a criança publicando os seus erros ou dificuldades em tarefas, e sempre dar atenção igual a todos. Nesta faixa etária eles precisam sentir segurança afetiva - receba-os de forma calorosa, com beijinhos e abraços, expressões como estas não tirarão sua autoridade muito pelo contrario fará você conquistar o amor da criança e juntamente com ele o respeito e a confiança, que resultarão em obediência.
Vale ressaltar que autoridade se conquista com respeito e boa influencia enquanto que autoritarismo se impõe na marra: “Tem que fazer porque a professora aqui sou eu!”. Relacionamentos humanos são construídos e solidificados através do respeito e do reconhecimento e as crianças da pré-escola também gostam disso, então não poupe elogios.
Piaget, diz que o desenvolvimento cognitivo nesta etapa acontece por meio de imagens e habilidades da memória. O aprendizado é condicionado e mecânico e também são egocêntricos, começando gradualmente a assimilar que também existem os coleguinhas. Professor, explore bastante figuras, desenhos, imagens; incentive-os a compartilhar lanches, brinquedos, e materiais diversos.

3. CUIDADOS COM A CRIANÇA

A criança do ensino infantil necessita de cuidados especiais e de muito maior atenção por parte dos pais e educadores. Pois não podemos esquecer que elas estão sendo “Modeladas” e aquilo que elas serão na fase adulta vai depender muito de como tudo isso foi construído.
Por isso, compete aos pais a “vigilância”, o cuidado quanto a tudo aquilo que a criança tem sido exposta quando esta em casa. Que tipo de programação ela tem assistido - terror, novelas onde as cenas de sexo, rebeldia, traição, e todo tipo de lixo é disseminado. Como é o relacionamento entre os membros da família? Há respeito, consideração, costumam falar palavrões, quem são as pessoas que estão freqüentemente em sua casa? Não tem como esperar que a criança tenha um comportamento diferente daquele ao qual ela esta sendo exposta, até porque nesta faixa etária elas são imitadoras.
A criança é totalmente dependente da pessoa mais velha, não tem como decidir sozinha, esta completamente vulnerável e sujeita as boas e as más influencias. O caráter da criança está em formação é preciso que os pais saibam estabelecer limites.
E os educadores que são aqueles que recebem estas preciosidades que são as crianças, precisam ser éticos e agir com sensatez e sabedoria, considerando o contexto familiar de onde elas vêm, sempre buscando entender o comportamento de cada uma a partir de sua realidade, lembrando que não há uma fórmula mágica que funcione com todos e o fato de serem crianças não lhes tira a individualidade. E outro fator que jamais pode ser esquecido é o de que elas estão em processo de socialização onde aprenderão a cumprir horários, esperar sua vez, compartilhar seus brinquedos e o colo de sua professora.
De acordo com Piaget, crianças neste período estão em crescente redução do egocentrismo, por causa da socialização na escola, logo nem tudo é rebeldia, é preciso que se considere a fase da criança e que muitas de suas ações correspondem a este período.

CONCLUSÃO

Após observamos cada ponto que foi ressaltado para que seja mantida a disciplina em sala de aula no ensino infantil - O papel dos pais, O papel do professor e os Cuidados com a criança concluímos que se forem considerados e praticados não será tão difícil.
É preciso compreender, por exemplo, que no momento em que a escola e a família conseguirem estabelecer um acordo na forma como irão educar suas crianças, muitos dos conflitos que foram observados serão paulatinamente superados. No entanto, para que isso ocorra, é necessário que a família realmente participe da vida escolar dos seus filhos. Pais ou responsáveis devem comparecer à escola não apenas para entrega de avaliações ou por algum problema. O comparecimento e o envolvimento devem ser permanentes e, acima de tudo, construtivos numa completa harmonia desde que existem objetivos comuns.
E o professor por sua vez, deve ficar atento as características que são comuns as crianças nesta faixa etária, tendo sempre aquela visão de que eles estão em processo de formação, logo “nem tudo é rebeldia”. Lembrando sempre que sua participação na vida da criança não só no aspecto cognitivo, mas também em todos os outros aspectos tem grande peso.

REFERÊNCIAS
DAVIS, Claudia, OLIVEIRA, Zilma, Psicologia na Educação; Ed. Coreez; São Paulo, 1994.
CAMPOS, D.M.S. (1987), Psicologia da Aprendizagem; Ed. Vozes; Petrópolis (RJ).
SWINDOLL, Charles R. , A Busca do Caráter; Ed. Vida; Deerfield. Flórida, EUA.
GOTZENS, Concepición; A Disciplina Escolar: Prevenção e intervenção nos problemas de Comportamento; Trad. Fatima Murad; 2º Edição. Ed. Artmed; Porgto Alegre, 2003.
ANTUNEZ, Serafin; Disciplina e Convivencia na Instituição Escolar; Trad. Daisy Vaz de Moraes, Porto Alegre: Artmed Ed. 2002.
XAVIER, Merino, org; Disciplina Escolar: Enfrentamentos e reflexões. Porto Alegre: Ed. Mediação, 2002.